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Delator diz que intermediou pagamentos para campanha do deputado João Arruda

Do G1 Paraná

 ex-superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná Daniel Gonçalves Filho, principal delator da Operação Carne Fraca, disse à Justiça que intermediou pagamento de propina para a campanha do deputado federal João Arruda (MDB-PR).

Daniel Filho foi reinterrogado na quarta-feira (11) pelo juiz Marcos Josegrei, da 14ª Vara Criminal de Curitiba, em ação que apura fraudes na liberação de licenças e fiscalizações irregulares em frigoríficos. O deputado nega e diz ser vítima de vingança (veja a nota dele na íntegra, mais abaixo).

Os pagamentos, segundo o delator, foram um pedido de Gil Bueno Magalhães, outro ex-superintendente, para atender a interesses dos donos do Frigorífico Peccin, que queriam que o deputado usasse a influência política que tinha para tirar da empresa o fiscal Daniel Gouvêia, considerado rigoroso.

"O superintendente era o Gil. Me chamou e falou: 'Olha Daniel, estamos querendo tirar, mexer lá no Peccin. O Peccin está com vontade de colaborar politicamente com os nossos deputados. Eu falei 'Está bom, como eu faço?'. [Ele] falou: 'Ele pretende dar uma ajuda de R$ 100 mil. Você vai lá no João Arruda , conversa com ele e coloca o Peccin em contato com ele para que possa ajudar na campanha política do João Arruda. Foi isso que aconteceu. Eu sai do circuito. Não sei se foi pago, se não foi", disse Daniel.

O delator afirmou que não sabe se o dinheiro foi de fato repassado ou não, mas citou que se desentendeu com João Arruda quando foi prestar contas a ele, porque "o deputado queria mais dinheiro e eu não conseguia".

Operação Carne Fraca (Foto: G1/Arte)Operação Carne Fraca (Foto: G1/Arte)

Maria do Rocio do Nascimento, também delatora e ex-chefe do Serviço de Inspeção de Produto de Origem Animal (Sipoa) em Curitiba, disse que Daniel Gonçalves lhe falou sobre os pagamentos.

"Fiquei sabendo pelo Daniel, que o Gil chegou até o Daniel Gonçalves e disse que o senhor IDair Peccin ofereceu 100 mil reais para que ele retirasse o Daniel Gouveia do SIG 2155", disse Maria à Justiça Federal.

Após ser notificado da citação, o deputado João Arruda solicitou ao juiz do caso que o processo entrasse em sigilo e fosse remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas Marcos Josegrei negou o pedido, nesta sexta-feira (13).

A delação de Daniel Gonçalves Filho foi homologada em dezembro do ano passado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), porque ele citou políticos com foro privilegiado. Pelo acordo, o ex-superintendente cumpre prisão domiciliar e tem que pagar multa de dois milhões de reais.

O que dizem os citados

João Arruda disse que é desafeto do delator e que não há provas sobre os pagamentos. Veja a íntegra do que divulgou a assessoria dele:

"O deputado João Arruda esclarece que é desafeto do delator, pois em março de 2016 requereu em ofício a retirada de sua assinatura da carta de indicação do partido ao nome do fiscal.

Por isso, o agente faz acusações sem provas e motivado por sentimento de vingança.

O deputado jamais pediu qualquer compensação ou vantagem indevida e irá processa-lo civil e criminalmente."

O advogado Elias Mattar Assad, defensor de Idair Peccin, um dos donos do frigorífico citado, disse que o cliente se reservou ao direito de permanecer calado durante o interrogatório, mas que não há nada que prove as declarações do delator.

Balanço dos processos

A Operação Carne Fraca tem seis ações penais, cujas audiências foram encerradas nesta semana. Ao todo, foram 51 dias de trabalhos, desde julho de 2017, com 84 interrogatórios e 218 testemunhas ouvidas.

Todos os processos estão na fase de requerimento de diligências complementares, quando as partes podem requerer o que for necessário para sanar eventuais nulidades, complementar a prova colhida na instrução ou esclarecer antecendentes do acusado, por exemplo.

Depois, as ações seguem para alegações finais e, então, para a sentença do juiz.

 

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